A primeira entrevista na Terapia Dialéctico Conductual não é simplesmente um momento de avaliação inicial, mas sim uma instância clínica decisiva na qual o tratamento, de fato, começa. A partir do modelo proposto por Marsha Linehan, a entrevista inicial permite organizar a complexidade do caso com base em uma lógica funcional, priorizando comportamentos de acordo com sua gravidade e impacto na vida do paciente. Isso implica que, desde o primeiro encontro, o terapeuta não apenas coleta informações, mas também começa a intervir ativamente: valida, estrutura, orienta e estabelece um enquadre claro que servirá de base para todo o processo terapêutico posterior.
Nesse sentido, a primeira entrevista cumpre uma função central na construção de uma formulação clínica inicial baseada na hierarquia de alvos da DBT. Identificar comportamentos que ameaçam a vida, que interferem no tratamento ou que prejudicam a qualidade de vida permite organizar o tratamento desde o início, evitando abordagens difusas ou pouco estratégicas. Esse ordenamento precoce não só aumenta a eficácia do tratamento, como também oferece ao paciente uma experiência de clareza, direção e contenção, especialmente relevante em contextos de alta desregulação emocional ou impulsividade.
Ao mesmo tempo, esse primeiro encontro é fundamental para o estabelecimento da aliança terapêutica e do compromisso com o tratamento. Por meio do uso estratégico da validação e da dialética entre aceitação e mudança, o terapeuta começa a construir uma relação que não é apenas empática, mas também ativa e orientada a objetivos. Na DBT, comprometer o paciente desde o início não é um passo secundário, mas uma intervenção em si mesma: implica negociar metas, explicitar expectativas e trabalhar sobre possíveis interferências, estabelecendo assim as bases para a adesão e a continuidade do processo terapêutico.
Por fim, a primeira entrevista permite antecipar dificuldades e planejar intervenções ajustadas às características do caso, integrando avaliação e ação desde o começo. Longe de ser um espaço passivo, trata-se de um momento em que o terapeuta começa a modelar habilidades, introduzir a linguagem comportamental e estabelecer um enquadre coerente com o tratamento. Dessa forma, a entrevista inicial na DBT não apenas organiza o que virá, mas já é, em si mesma, uma intervenção terapêutica que orienta, contém e coloca em marcha o processo de mudança.
Integração contínua entre teoria e prática
Role playing em diferentes momentos do curso
Foco em tomada de decisão clínica desde a primeira entrevista
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