Temas Atuais

Facilitando a Mudança Tanto em Você Como em Seu(Sua) Parceiro(a)

A Terapia Comportamental Integrativa de Casal (Integrative Behavioral Therapy – IBCT), compreende que as principais mudanças numa terapia de casal devem ser por contingências, ou seja, naturais, com cada parceiro(a) buscando ser a pessoa que deseja ser numa relação conjugal, e não o que o(a) outro(a) deseja que ela seja. Sendo assim, grande parte das intervenções são voltadas para cada um observar suas próprias emoções, conectar-se com as próprias vulnerabilidades emocionais, com seus próprios gatilhos que desencadeiam condutas que não seriam as melhores para manejar as situações conflitivas.

Os autores deste modelo organizaram um livro para os casais: Diferenças Reconciliáveis: reconstruindo seu relacionamento ao redescobrir o parceiro que você ama, sem se perder (Christensen, Doss & Jacobson, 2018), com uma linguagem acessível para as pessoas terem acesso à psicoeducação acerca das relações de casal, além de diversos exercícios que podem auxiliar na reflexão do funcionamento conjugal. No texto de hoje, segue um exemplo sobre como o casal pode pensar sobre as estratégias de mudança. Este exercício foi elaborado para auxiliar na realização de mudanças no relacionamento por meio de perguntas para cada parceiro(a) refletir sobre seu próprio papel neste processo quando não envolve incompatibilidades complicadas (por exemplo diferenças de personalidade, de manejo dos problemas) ou vulnerabilidades emocionais (por exemplo sensibilidades construídas durante história de aprendizagem, seja na família de origem ou em relações anteriores):

 

  1. Quais as mudanças que eu gostaria que meu(minha) parceiro(a) fizesse que me parecem claras e simples?
  2. Há alguma coisa sobre a forma como você poderia reformular seus pedidos de mudança para torná-los mais bem sucedidos? Por exemplo, você pode torná-los mais específicos, definir coisas para fazer (não coisas para NÃO fazer), para que a compreensão do desejo de mudança seja mais clara e/ou menos aversiva?
  3. Tente solicitar essas mudanças ao seu(sua) parceiro(a) de forma direta e específica. Não tente justificar as mudanças enquadrando-as como uma necessidade urgente, usando comparações com outros, ou fazendo apelos à igualdade ou ao amor. Basta indicar como essas mudanças tornariam sua vida mais fácil ou mais satisfatória.
  4. Quais as mudanças que meu(minha) parceiro(a) gostaria que eu fizesse que são relativamente claras e simples?
  5. Considere, também, as mudanças mais difíceis que você gostaria que fossem implementadas. Algumas das alterações que você deseja de seu(sua) parceiro(a) faça trazem à tona incompatibilidades e/ou vulnerabilidades emocionais? Você está buscando uma mudança nas emoções que seu(sua) parceiro(a) experimenta ou uma mudança no seu comportamento?
  6. Algumas mudanças que eu gostaria que meu(minha) parceiro(a) fizesse, mas sei que será muito difícil para ele(ela):
  7. Você está fazendo algum esforço para criar uma mudança que fracasse, diminuindo as chances de que seu(sua) parceiro(a) fará o que você deseja (por exemplo apontar o que outros casais fazem, ameaçar se não fizer, fazer apelos ao amor ou falar de justiça)?
  8. Minhas ações que atrapalham ao invés de facilitar essa mudança:

 

Após cada um responder às questões, é importante compartilhar suas respostas para juntos compreenderem como está o seu padrão de interação e, assim, descobrir uma nova forma, um outro caminho para ir em direção às mudanças que realmente forem essenciais para a relação.

 

Referências

Christensen, A., Doss, B. D., & Jacobson, N. S. (2018). Diferenças Reconciliáveis: reconstruindo seu relacionamento ao redescobrir o parceiro que você ama,  sem se perder (2a ed.). (M. R. S. W. Lins & M. Rozman, Trads.). Novo Hamburgo, RS: Sinopsys.

Artigo escrito pela doutora em psicologia, diretora da FACEFI e integrante do Núcleo Contextus, Mara Lins.