notícias

“Onde um de nós perde alguém, toda a família do terreiro perde alguém”, explica Patrícia Pereira em Webinar sobre Vida, Morte e Espiritualidade do CEFI

Com leveza e muito conhecimento, Patrícia Pereira, pedagoga, professora, graduanda em Direito, especialista em Gestão Pública e Sociedade, Mestra em Educação, afrobetizadora e afroeducadora, apresentou os hábitos, rituais e significados sobre a perda e o luto nas religiões afro-brasileiras e nas comunidades de terreiros no webinar promovido pelo Núcleo CORA do CEFI, realizado na noite de quarta-feira (14/04), de forma online, compondo o terceiro capítulo da websérie “Vida, Morte e Espiritualidade”.

“A morte é uma mudança de plano existencial, mudança de plano de tarefas. Na umbanda, a gente retorna. E o retorno pode ser físico, como uma das entidades que volta a atender no terreiro. A nossa missão muda de roupagem fluídica, mas não deixa de existir. Acreditamos que existimos entre vivos e mortos”, disse Patrícia.

O processo de luto e as despedidas nessas religiões, explica Patrícia, são vividos em sua plenitude, mas os tipos de rituais dependem do posto que a pessoa que faleceu ocupa dentro de cada comunidade. “As pessoas têm postos, têm trabalhos. Onde um de nós perde alguém, toda a família do terreiro perde alguém. Se é uma das lideranças, como um pai de santo, uma mãe de santo, um yalorixá ou babalorixá, não é só aquele terreiro que vai ficar de luto, mas todos os outros terreiros dos filhos feitos naquela casa entram em luto também, mesmo que já tenham suas casas, mesmo que já estejam mais velhos e tenham seus próprios filhos de santo. De acordo com a religião, o luto pode ir de uma semana até sete anos. Vai depender do lugar. E durante todo esse tempo se tem uma série de acolhimentos para a família interna, externa, rituais. É um tempo que precisa ser vivenciado”, destacou Patrícia.

No webinar, também foi falado sobre rede de apoio, rituais no pós-morte durante a pandemia, como é visto a cremação nestas religiões, entre outros pontos.

A psicóloga e membro do Núcleo Cora-CEFI Brunelly Ferrari, que mediou o encontro, agradeceu as palavras e a participação da Patrícia e elogiou o a apresentação realizada por ela. “Saio dessa live educada”, frisou Brunelly. A psicóloga Denise Cápua, também integrante do Núcleo Cora e uma das diretoras do CEFI, manifestou seu sentimento de gratidão pela troca de experiências e pelo conhecimento transmitido por Patrícia. “Estou muito grata e contente com o que pudemos construir hoje”, finalizou.

A próxima edição da websérie “Vida, Morte e Espiritualidade” do CEFI ocorrerá em maio e trará um rabino para abordar a perspectiva na religião judaica. Os dois primeiros webinars discutiram o tema na perspectiva budista e do espiritismo.