Qualificando Relações

Homossexualidade não é doença

  • Ter, 19 de Setembro de 2017

    A homossexualidade não é uma doença. Isso é um consenso científico. Não existem evidências que embasem essa afirmação. Em termos éticos é um argumento que não se sustenta, da mesma forma. Profissionais da psicologia vinham sendo proibidos de oferecer tratamentos de cura/reversão pelo Conselho Federal de Psicologia desde 1999. Esta é uma decisão perigosa, mesmo que em caráter liminar, embasada em argumentos frágeis e equivocados. Ainda, contraria todos os estudos que apontam três pressupostos básicos envolvendo o tema:
    1) entender a homossexualidade como patologia, perversão ou desvio é aviltante, estigmatizador e equivocado; 2) terapias de conversão/cura NÃO FUNCIONAM;
    3) além de não funcionarem, causam prejuízos, podendo ser preditoras de tentativas de suicídio e suicídio consumado, além de implicarem uma série de agravos de saúde mental em uma população que já sofre diariamente as dificuldades ocasionadas por um contexto social preconceituoso, invalidante e violento com sexualidades que desviem do modelo heterossexual. Profissionais da psicologia que tentam, de alguma forma, reparar ou converter a sexualidade de alguém estão sendo imperitos tecnicamente e agindo de forma eticamente deturpada. Essa é mais uma tentativa de descaracterizar a ciência e a prática psicológica e desvirtuá-la da sua laicidade. A psicologia deve ser informada por evidências e estudos científicos, e não baseada em preceitos morais ou achismos. A psicologia deve ser laica e refutar vínculos com tradições e denominações religiosas. Profissionais da psicologia devem estar atentos aos seus vieses cognitivos e crenças pessoais, para que não interfiram de forma negativa nas suas intervenções. Mais do que nunca precisamos trabalhar para que psicólogas e psicólogos tenham treinamento e formação em gênero e sexualidade para que proporcionem um cuidado de maior qualidade, culturalmente adaptado, ético, empático e sensível. Essa decisão judicial é gravíssima, interfere em conhecimentos e posições técnicas já bastante consolidados e deve ser refutada, repudiada e combatida. Não aceitaremos esse retrocesso.
    Por Ramiro Figueiredo Catelan, monitor e aluno da Especialização em TCC do CEFI

    https://oglobo.globo.com/sociedade/justica-permite-que-psicologos-tratem-homossexualidade-como-doenca-21838339