Qualificando Relações

A Terceira Idade e seus temores: o medo da morte, a perda de identidade e dos vínculos

  • Sex, 04 de Agosto de 2017

    Todos nós em algum momento da vida já passamos por uma situação de alerta, a qual consideramos perigosa e/ou ameaçadora (física e psicologicamente). Em consequência disso, apresentamos alguns sintomas físicos: musculatura contraída, respiração e coração acelerados. Estes sintomas são meios adaptativos que o ser humano desenvolveu ao longo da sua existência, os quais chamamos de “medo”. Uma vez que não controlamos sua incidência, que pode ser desencadeada por estímulos externos, este sentimento pode variar em intensidade e frequência ao longo do desenvolvimento humano ocasionado por diversos motivos tais como: animais em particular, altura, escuro, sangue, falar em público e assim por diante.

    Os medos são subjetivos pois variam conforme sexo, faixa etária, profissão, entre outros fatores. Um dos mais observáveis, e reais, que atinge o ser humano é o da morte (ou de morrer), principalmente na terceira idade. Para muitos idosos, a velhice é sinônimo de adoecimento e morte, pois vivenciam o luto pelo enfraquecimento do seu corpo, a diminuição de algumas funções cognitivas, a perda de pessoas próximas da mesma idade, cônjuge e familiares. Somado a todas essas perdas, a chegada da aposentadoria acarreta a perda da sua própria identidade, visto que seu papel social não é mais o mesmo, afetando a sua autoestima, seu papel dentro da família e sua função social. Além disso, essas perdas são banalizadas pela sociedade, tendo como consequência uma dor silenciada e não compartilhada.
    No entanto a adoção de algumas medidas pode contribuir para um envelhecimento saudável, amenizando o temor da morte e trazendo benefícios aos idosos. São elas: as relações sociais e familiares, que preveem a solidão e o abandono; a espiritualidade, onde buscam respostas e conforto à sua finitude, e a psicologia, que auxilia no enfrentamento às transformações vivenciadas pela idade, sendo o psicólogo, conselheiro na elaboração desse luto dando suporte à família, promovendo o bem-estar de todos.
    Texto: Marjana Siqueira e Marivone Lucas integrantes do
    CORA - Núcleo de Luto do CEFI
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